Textos e Artigos

Autores: Paola dos Santos Balestieri e André Ary Leonel
Fonte: Revista Insignare Scientia - RIS
Ano: 2022
Resumo: O estudo em questão apresenta um recorte de um trabalho de conclusão de curso de Licenciatura em Física, onde são abordadas reflexões acerca de um Ensino de Física em busca de uma formação plena dos estudantes e do professor, de modo que promova, por meio de conteúdos científicos, a problematização de questões que permeiam a nossa sociedade, buscando então a formação desses indivíduos como sujeitos de direitos, que saibam defender, garantir e reparar os direitos humanos. Visando pontuar as possibilidades e desafios de uma aproximação entre o Ensino de Física e a Educação em Direitos Humanos, foi elaborada uma sequência didática, que aplicada em uma turma do segundo ano do ensino médio de um colégio público, possibilitou estabelecer que o ensino de ciências que esteja despreocupado com a formação cidadã, está longe de desenvolver aspectos necessários para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa. No entanto, ao caminhar na direção de um ensino em uma perspectiva da Educação em Direitos Humanos, os entraves educacionais, moldados para o insucesso da educação como mecanismo para a formação cidadã, se mostraram resistentes.

Autores: André Felipe Hoernig, Neusa Teresinha Massoni e Dimiter Hadjimichef
Fonte: Caderno Brasileiro de Ensino de Física
Ano: 2022
Resumo: Com o presente texto trazemos alguns resultados empíricos sobre percepções de estudantes de Ensino Médio sobre a relação entre Ciência e Religião, bem como alguns indícios de viabilidade de atividades que foram conduzidas em uma pesquisa mais ampla, em nível de mestrado em Ensino de Física, para tratar desta relação em sala de aula. O objetivo do presente artigo é apresentar possibilidades para o Ensino de Física com viés Histórico e Epistemológico que trate da relação Ciência e Religião. Para tal, apresentamos dados coletados com estudantes de Ensino Médio sobre como estes alunos relacionam Ciência e Religião, antes de uma intervenção didática (Estudo 1, N=291) e após uma intervenção didática que abordasse o tema de forma secundária, uma vez que a ênfase foi a introdução de Física Quântica com um viés histórico (Estudo 2, N=34). Observamos se os alunos acreditavam que os cientistas (quaisquer cientistas para o Estudo 1 e os principais cientistas por trás do desenvolvimento da Quântica para o Estudo 2) poderiam expressar alguma religiosidade e categorizamos as respostas, observando que estas podem ser relacionadas com categorias identificadas na literatura. Com a execução de um Módulo Didático de Física Quântica com um viés histórico, em que uma das propostas era tratar como a religiosidade dos cientistas não embaraça a atividade acadêmica destes, foi possível obter indícios de aprendizagem do conteúdo físico e um encaminhamento dos alunos que compuseram o Módulo para um discurso de diálogo entre Ciência e Religiosidade.

Autores: Marta Maximo Pereira
Fonte: Caderno Brasileiro de Ensino de Física
Ano: 2020
Resumo: -

Autores: Filipe de Lima Silveira e André Ary Leonel
Fonte: Alexandria
Ano: 2022
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo identificar e analisar as publicações, na área de Ensino de Física, que envolvem a Educação em Direitos Humanos (EDH), com atenção às contribuições apresentadas e aos desafios enfrentados. A identificação destas produções acadêmicas pode contribuir com a divulgação e o desenvolvimento de práticas e pesquisas futuras sobre esta temática. A partir da metodologia da análise de conteúdo (BARDIN, 2011) foram levantados artigos envolvendo a EDH em eventos que contemplam o Ensino de Física, no período de 2012 a 2019. Foi possível detectar um crescimento nas publicações, referentes à perspectiva analisada, em eventos mais recentes. Os trabalhos encontrados relatam desafios a serem superados e contribuições no campo da pesquisa em Ensino de Física e também no ambiente escolar. Cabe destaque, como desafios, o diagnóstico de violações dos DH, as imposições da cultura hegemônica e barreiras culturais que prejudicam a inclusão e o empoderamento das minorias. Entre as contribuições apresentadas pelos trabalhos encontrados, merecem destaque: o desenvolvimento de propostas metodológicas, incluindo atransformação dos conteúdos de ciências e práticas com a intenção de formar professores na perspectiva de EDH.

Autores: Daniel Pigozzo, Nathan Willig Lima e Matheus Monteiro Nascimento
Fonte: Caderno Brasileiro de Ensino de Física
Ano: 2019
Resumo: Neste artigo, apresentamos a Filosofia Sistêmica de Fritjof Capra. A partir de sua obra é possível distinguir a existência de dois paradigmas (entendidos como molduras filosóficas) no desenvolvimento da ciência moderna: o paradigma mecanicista, inspirado pela Física Clássica, e o novo paradigma, articulado a partir da Física Moderna. Segundo Capra, os problemas complexos do mundo contemporâneo podem ser mais bem enfrentados pelo novo paradigma. Para abordar o tema, apresentamos uma discussão sobre a visão de Capra acerca da natureza da ciência, da Filosofia da Física Clássica e da Filosofia da Física Moderna e suas repercussões em diferentes contextos culturais. Por fim, propomos uma extrapolação do pensamento de Capra indicando possíveis implicações de seu trabalho para a Educação em Ciências, para o Ensino de Física e suas respectivas áreas de pesquisa.

Autores: Francineide Amorim Costa Santos, Neusa Teresinha Massoni, Claudio Rejane da Silva Dantas e Rochelande Felipe Rodrigues
Fonte: Revista Thema
Ano: 2022
Resumo: Este trabalho propõe a abordagem da temática ambiental na educação básica a partir de conteúdos da física, utilizando dados provenientes de sensoriamento remoto (SR). Inicialmente, fazemos uma articulação da legislação brasileira sobre educação ambiental com a literatura, em periódicos, referente à pesquisa em ensino de física e sua relação com a educação ambiental. Na sequência, apresentamos algumas situações que poderiam ser abordadas em sala de aula utilizando imagens de satélite. Posteriormente, são abordados alguns princípios físicos do SR, destacando o papel da radiação solar e terrestre e o registro dessa radiação pelos sensores. Apresentamos, então, alguns resultados estimados a partir de dados de SR para Temperatura da superfície (Ts), Radiação terrestre (radiação de onda longa - ROL) e Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) para diferentes localidades. Os resultados demonstram a importância da preservação da vegetação para a manutenção de temperaturas mais amenas. A proposta permite articular aspectos da temática ambiental ao ensino de física, estendendo aspectos do conteúdo científico a fenômenos socioambientais para além da sala de aula, possibilitando relacionar o currículo de física com o contexto local em que vivem os estudantes.

Autores: Pedro Arly de Abreu Paula, Gilberto Dantas Saraiva, Antônio Joel Ramiro de Castro e Maria Sônia Silva de Oliveira Veloso
Fonte: Revista Insignare Scientia - RIS
Ano: 2021
Resumo: A pesquisa tem como objetivo de apresentar práticas pedagógicas metodológicas para a inclusão no ensino da física da educação básica. Possibilitando reflexões para o desenvolvimento da inclusão do aluno com deficiência visual. A partir de levantamentos dos estudos vivenciados na escola por um professor de física, foram selecionadas duas turmas da escola de ensino médio de Pacoti-CE: uma de 2ª série, tendo um aluno com deficiência visual e outra de 3ª série. Algumas práticas foram realizadas apenas com o deficiente visual. Utilizando-se de uma metodologia de pesquisa-ação, qualitativa, exploratória, para a construção e análise dos dispositivos que foram aplicados aos alunos. Com os resultados obtidos por meio dos questionários e avaliações, verificou-se que os objetivos destacados para cada assunto da física estudado, foram alcançados, valendo ressaltar que os alunos (deficiente visual e videntes) descreveram que essa metodologia torna as aulas mais interessantes e fáceis de entender. Com base nos materias que foram desenvolvidos e aplicados aos estudantes, possibilitou a criação de um manual com as ideias formadas. Por fim, considera-se que as as práticas pedagógicas, devem serem sempre analisadas e modificadas conforme as necessidades, para que o processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento do estudante com deficiência visual tenha sucesso.

Autores: Alan Alves Brito, Vitor Bootz e Neusa Teresinha Massoni
Fonte: Caderno Brasileiro de Ensino de Física
Ano: 2018
Resumo: Um dos grandes desafios da Educação Básica do Brasil do século XXI é a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, as quais tornam obrigatória a inclusão do ensino da História da África, da Cultura Afro-Brasileira e Indígena, nos currículos dos estabelecimentos de ensino do País, na luta por uma sociedade mais igualitária. No entanto, do ponto de vista prático, o debate atual em torno dessas Leis bem como das práticas pedagógicas e didáticas desenvolvidas nas escolas estão quase que exclusivamente restritas às iniciativas feitas no contexto de disciplinas das Ciências Humanas e Sociais. Ancorado em referenciais teóricos da Astronomia Cultural e da Pedagogia Dialógica de Paulo Freire, o presente trabalho apresenta uma Sequência Didática diversificada com o objetivo de permitir, nas aulas de Ciências/Física da Educação Básica, embora ela possa também ser aplicada no Ensino Superior, uma ampla discussão acerca dos pressupostos históricos, culturais e científicos do céu Africano, Indígena e do assim denominado céu Ocidental. Tomando as constelações em variadas culturas como ponto de partida, o presente trabalho soma-se às iniciativas que buscam articular a garantia de direitos humanos e sociais e o respeito à diversidade étnico-racial. Trata-se, assim, de um exemplo simples, por meio de um objeto virtual de aprendizagem e de um material didático construído em sala, de como aulas de Ciências/Física podem contribuir nos Ensinos Fundamental e Médio, com uma educação mais crítica, antidiscriminatória, antirracista, emancipatória e diversa, levando em conta as diferentes alteridades, ou seja, o “outro”.

Autores: Mariana Fernandes dos Santos, Nathalia Helena Alem e Jorge Ferreira Dantas Junior
Fonte: ODEERE
Ano: 2018
Resumo: O discurso didático que a escola vem construindo ao longo da história da educação brasileira tem em seu bojo o centralismo epistemológico eurocêntrico institucionalizado. Sendo assim, entendemos ser necessário a constante problematização em torno desses discursos na ação docente. Neste artigo, temos como objetivo analisar a forma como são discursivizadas a História e Cultura Afro-Brasileiras, Africanas, e Indígenas no discurso didático do livro de Física do Ensino Médio Integrado ao Técnico em uso no IFBA, campus Eunápolis. Realizamos uma pesquisa bibliográfica por meio da análise de um corpus constituído de materialidades advindas da coleção, Compreendendo a Física, Alberto Gaspar – 3. ed. – São Paulo: Ática, 2016. Para isso mobilizamos a análise do discurso de linha francesa, as teorias fundantes desta pesquisa de perspectiva multicultural e decolonial, bem como discussões acerca do Livro Didático, esse aparato didático tão presente nas salas de aula e tão pouco consensual. Os resultados apontam que o discurso didático da coleção analisada, não se movimenta para a efetivação de fato da legislação específica do Ensino de História e Cultura Afro-brasileira na rede regular de educação básica. Por isso podemos afirmar que há necessidade de ampliação no plano conceitual e epistemológico do que significa construir uma proposta didática sob a perspectiva racial, que considere para o ensino de Física, as epistemologias africanas e indígenas que potencializam a descolonização deste artefato cultural.

Autores: Alan Alves-Brito e Kaleb Ribeiro Alho
Fonte: Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte)
Ano: 2022
Resumo: Um dos grandes desafios da educação antirracista no Brasil é ser pensada e executada em áreas que se colocam à margem da discussão étnico-racial. O presente ensaio traz reflexões sobre como a educação para as relações étnico-raciais pode ajudar a problematizar as noções de desenvolvimento e progresso (muito íntimas da episteme científica moderna), em aulas de ciências, a partir da análise de casos de conflitos político-territoriais que envolvem comunidades tradicionais e empreendimentos de Estado. Discutimos casos marcantes de conflitos étnico-raciais no Brasil e nos Estados Unidos no que tange à instalação de observatórios, de uma usina hidrelétrica e uma base de lançamento de foguetes, interpretados como elementos de desenvolvimento no contexto do Projeto Moderno e Contemporâneo de Ciência, mas que, alternativamente, resgatam as tensões entre a Tradição e a Razão Científica. Argumentamos do ponto de vista histórico, filosófico e epistemológico, buscando justificar e fomentar a discussão e a execução das Leis 10.639, 11.645 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na educação em ciências, nos ensinos básico e superior.