
Textos e Artigos

Autoria: Ligyanne Batista Vieira e Geraldo Eustáquio Moreira
Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Educação Matemática
Ano: 2018
Resumo: Este texto propõe a incorporação de temas relativos aos Direitos Humanos nas aulas de matemática. A pesquisa busca promover reflexões de situações sociais relacionadas a esses direitos e, ao mesmo tempo, associá-las a uma atividade matemática.Além disso, procura desenvolver processos formativos para professores de escolas públicas e licenciandos em matemática. Com enfoque nas perspectivas histórico-crítica e matemática crítica, caracterizando-se como uma pesquisa-ação. Como resultado parcial, a partir da implementação de atividades matemáticas com temáticas sociais,no curso de matemática de uma universidade de Goiânia, percebe-sea necessidade da ressignificação do papel do professor e de suas práticas que nem sempre estãovoltadas para a formação global ecrítica doestudante. Ademais, verifica-se a importância da consciência crítica sobre a atuação docente e das potencialidades que a matemática tem em poder contextualizar e transformar o ambiente escolar.

Autoria: Gláucia Bomfim Barbosa Barreto e Ana Maria Teixeira de Freitas
Fonte: Laplage em Revista
Ano: 2016
Resumo: O texto tem como objetivo discutir a importância da utilização dos jogos educativos africanos da família Mancala como relevante recurso pedagógico para o ensino e aprendizagem da matemática. Mediante uma detalhada revisão da literatura sobre o tema apresentamos uma análise sobre a utilização desses jogos destacando diferentes experiências, na perspectiva de refletir sobre a utilização de metodologias de ensino de Matemática que possam otimizar os processos de aprendizagem dessa disciplina através de estratégias que articulem o raciocínio matemático e a dimensão lúdica, dinâmica e interativa do aprender. Consideramos, igualmente, as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais ao indicarem que as atividades com jogos podem representar um importante recurso pedagógico estimulando, também, uma mudança da postura do professor quanto ao ensinar matemática.

Autoria: Getulio Rocha Silva e Luiz Marcio Santos Farias
Fonte: ODEERE
Ano: 2021
Resumo: Este texto visa questionar as construções racistas que fundamentaram discursos sobre a irracionalidade de não europeus. Apontamos alguns posicionamentos de filósofos que corroboraram para a construção do racismo científico. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica. O objetivo foi, por meio de propostas decoloniais, mostrar que africanos inventaram o objeto matemático fração, bem como sua notação atual. Os mais antigos registros históricos sobre esse objeto são os antigos papiros keméticos, sendo o Papiro de Ahmes, o mais importante deles. Mostramos exemplos da forma hierática de representar frações e recorremos ao Mito Hórus, deus kemético para mostrar que frações estavam relacionadas ao cotidiano da civilização egípcia antiga.

Autoria: Maria Celeste Reis Fernandes de Souza e Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca
Fonte: Cadernos de Pesquisa
Ano: 2013
Resumo: Neste artigo analisamos, em práticas de cuidado, controle e organização da casa, os modos pelos quais relações de gênero conformam práticas matemáticas. O material empírico foi produzido em uma associação de catadores de materiais recicláveis e se compõe de gravação de aulas e oficinas pedagógicas, registros de episódios e entrevistas. O referencial teórico e metodológico dialoga com estudos de gênero, investigações de práticas de numeramento e estudos de Michel Foucault relativos ao discurso. A atenção que legamos às práticas matemáticas neste estudo é motivada pela fertilidade das situações que as envolvem nas atividades domésticas e no contexto escolar, naturalizando e institucionalizando, sob a égide de uma racionalidade de matriz cartesiana, diferenciações e desigualdades de gênero.

Autoria: Deise Aparecida Peralta
Fonte: Ciência & Educação
Ano: 2022
Resumo: Neste texto apresento a Ética Discursiva de Jürgen Habermas com potencial diagnóstico de discursos políticos que expressam relações e questões de gênero. Para tanto, em termos estruturais, após uma breve introdução que justifica a adequação de Habermas ao debate feminista, segue uma explicitação do seu projeto filosófico, e uma seção que versa sobre uma condição histórica das mulheres no Brasil que, evidenciando exclusão da comunidade linguística, ilustra a não titularidade de direitos a um mundo da vida e compartilhamentos intersubjetivos em espaços de esfera pública. E, finalmente, a partir de levantamento em arquivos do Senado Federal, que narram o episódio de promulgação da Lei das "escolas de primeiras letras", discuto o ideário androcêntrico vigente nos debates do parlamento sobre currículos de matemática para meninos e meninas, bem como lanço visibilidade sobre a ética empregada nos discursos que, subjugando mulheres, determinava e delimitava o aprender e ensinar matemática no século XIX.

Autoria: Thaciane Jähring Schunk e Lauro Chagas e Sá
Fonte: Boletim Cearense de Educação e História da Matemática
Ano: 2018
Resumo: O Programa Etnomatemática de D’Ambrósio é um programa de apoio pedagógico que valoriza as culturas de determinada sociedade e seus conhecimentos adquiridos ao longo de sua existência. Além disso, podemos verificar que tal programa está intimamente relacionado à lei nº 10.639/2003, a qual estabelece que todas as unidades de ensino básico devem inserir a história e a cultura africana e afro-brasileira no currículo escolar, em consonância com o resgate dos valores da diversidade étnico-racial brasileira. Nesse sentido, esta pesquisa apresenta e discute uma oficina ocorrida na I Semana da Consciência Negra e Indígena do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Viana, sobre transformações geométricas em estamparias africanas, no segundo semestre de 2017, com estudantes do primeiro e segundo ano do Curso Técnico em Logística Integrado ao Ensino Médio. O objetivo principal da oficina era analisar as estamparias africanas para reconhecer as transformações geométricas presentes nos tecidos, além de realizar transformações por meio dos símbolos africanos para aflorar as habilidades de construções desses modelos. Para isso, passamos por três etapas: discussão sobre a importância das estamparias e símbolos na cultura africana – identificando as transformações geométricas nas estamparias – e exploração das transformações geométricas por meio dos símbolos africanos. O nosso método de análise da oficina foi constituído de questionário diagnóstico realizado antes e depois da proposta didática. Por meio desses questionários observamos que a oficina contribuiu positivamente para o conhecimento dos alunos sobre a relação entre a estamparia africana e a matemática. Esta proposta de ensino baseado no Programa Etnomatemática e na lei nº 10.639/2003valoriza a cultura africana e pode incentivar outros profissionais da educação a realizar metodologias que evidencie essa lei.

Autoria: Michele Assis de Oliveira e Marilisa Bialvo Hoffmann
Fonte: Revista Insignare Scientia - RIS
Ano: 2021
Resumo: Uma educação antirracista envolve a relação e o convívio entre pessoas e estrutura social. Este convívio é ampliado no ambiente escolar, pois é neste espaço que crianças e jovens estabelecem novas relações sociais com pessoas de diferentes etnias, gêneros e identidades. Tais relações acabam por influenciar diretamente a construção da autoimagem de cada indivíduo. Assim, a educação antirracista é aquela que atua de modo a permitir que todos tenham sua identidade e história acolhida no espaço escolar. Para além do processo de ensino conteudista, um dos principais desafios éticos do ensino dos componentes curriculares nas escolas é a garantia do reconhecimento e valorização da pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro. A presente pesquisa, por meio de análise documental, examina a Base Municipal Comum Curricular do Ensino Fundamental do município de Esteio (RS), homologada no ano de 2017, sob a perspectiva antirracista, verificando se a temática da diversidade étnico-racial está presente nas diretrizes deste documento e, ainda, se há orientações para sua abordagem em sala de aula. Com a análise, constatou-se que a temática racial ainda não conquistou um espaço de destaque na prática pedagógica e que existem lacunas visíveis nas orientações do documento.

Autoria: Maurício Rosa e Bruna Sachet
Fonte: Bolema: Boletim de Educação Matemática
Ano: 2021
Resumo: Investigamos de que modo problematizações podem emergir de uma prática pedagógica decolonial que utiliza memes misóginos e a reflexão matemática sobre questões de gênero, com recursos digitais, em uma aula de matemática do 1° ano do Ensino Médio. Partimos da concepção de gênero como uma forma de colonialidade. Nessa perspectiva, vamos ao encontro da decolonialidade que atua para desestabilizar a ideia colonial, percebendo a concepção de gênero pela necessidade de se questionar os padrões eurocêntricos. Assim, nesse estudo, o grupo de participantes resolveu atividades com memes e com Google Trends, discutindo aspectos relativos à concepção de gênero, principalmente, pela matemática. Buscamos, sob uma abordagem qualitativa, investigar por meio da matemática com Tecnologias Digitais (TD) uma prática que venha problematizar a concepção de gênero, promovendo a consciência de valores e dos direitos humanos. Nesse artigo, apresentamos um recorte da prática, a qual foi protagonizada por um grupo de estudantes. A problematização começou a ser constatada em um primeiro momento de atividades, pois a imagem que um aluno tinha da mulher continha traços da colonialidade, ou seja, traços de inferiorização, subalternização e invisibilidade da mulher. Mas, no decorrer da pesquisa, esse mesmo aluno demonstrou resistência à colonialidade, questionando, problematizando os padrões de beleza e comportamento feminino impostos pela sociedade. Por meio das práticas de propor um ambiente de discussão com memes e análise crítica dos gráficos gerados pelo Google Trends, as problematizações da concepção de gênero foram efetuadas de modo a tornarem-se potencializadas pela matemática com TD.

Autoria: Lucas Alves Lima Barbosa
Fonte: Revista DISSOL- Discurso, Sociedade e Linguagem
Ano: 2015
Resumo: O questionamento central das discussões aqui realizadas é: “Existem relações entre as concepções de gênero, a linguística e o ensino da matemática?”. De fato, não é incomum depararmo-nos com afirmações do tipo "meninos têm mais facilidade para aprender matemática do que meninas" ou "a mulher é muito emotiva e pouco racional", dentre outras, que podem trazer implicações para o ensino da matemática a partir do momento em que encaramos tais enunciações sob a luz alguns conceitos trabalhados na área da linguística. Partindo-se de certos pressupostos relacionados com a noção de que somos seres onde discursos se estanciam e ganham vida, os enunciados citados anteriormente, uma vez transpostos para a sala de aula, podem alimentar a reafirmação de desigualdades já materializadas no âmbito social. Pretende-se, nesse sentido, definir a diferenciação entre homens, mulheres e matemática como não natural, e sim construída, com o valioso auxílio da linguagem e de tudo aquilo que ela abarca consigo.

Autoria: Ieda Maria Giongo, Fabiana Picoli e Maria Isabel Lopes
Fonte: Nuances: Estudos sobre Educação
Ano: 2018
Resumo: O presente trabalho tem por objetivo problematizar a educação matemática de alunos surdos incluídos em classes de ensino regular e que frequentavam, em turno inverso, a Sala de Recursos. Os aportes teóricos que sustentam a investigação são relativos ao pensamento de Michel Foucault e à educação de surdos em seus entrecruzamentos com o campo da etnomatemática, tendo como participantes quatro alunos surdos. O material de pesquisa gerado está composto por anotações em diário de campo da pesquisadora, excertos de filmagens de atividades e material escrito produzido pelos participantes. A análise do material aponta que, se, por um lado, os alunos utilizavam a calculadora cotidianamente na sala de aula regular; por outro, na Sala de Recursos, não demonstravam reconhecer as funções e operacionalidade desse artefato. Ademais, eles explicitaram, quando confrontados com situações-problema, estratégias distintas daquelas usualmente exploradas em sala de aula.